segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em seu novo filme, Christopher Nolan está mais para Spielberg do que para Kubrick


Inception não faz jus à publicidade em torno do seu lançamento no Brasil, certamente ecoando sua recepção no exterior, anunciando se tratar de um filme onde se dá uma combinação interessante entre cinema de arte e entretenimento. A mega produção de Christopher Nolan tem o mérito indubitável de forjar um universo de som e luz que mantém o espectador desperto em seu assento, flanando por belas paisagens e por divertidas histórias. A ingestão da pipoca fica em segundo plano já que, desde o início, percebe-se a pretensa complexidade do roteiro e a sucessão acelerada de suas peripécias. O entretenimento é, deste modo, garantido. Não há, entretanto, nada na produção que permita considerá-la cinema de arte. Sua representação de tempo e espaço é absolutamente banal – o que espanta, quando se considera que a principal matéria do filme são os sonhos. Nada de especial na interpretação dos personagens – muito do cenho franzido de Leonardo DiCaprio e um Michael Caine interessante, que promete, mas que não desempenha nenhuma função relevante. E o mais sério: nada na ideologia do filme que refrigere nossas noções pré-estabelecidas e que alimente sentimentos de inovação e/ou de liberdade. Toda a ação do filme é movida pela ambição desmedida de um empresário japonês e pela busca de um homem pelos filhos – em nenhum momento, estes objetivos são questionáveis, comprovando a tendência capital dos blockbusters: reafirmar velhos valores arraigados em nossa sociedade ocidental como família, pátria, trabalho e dinheiro.

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