segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em seu novo filme, Christopher Nolan está mais para Spielberg do que para Kubrick


Inception não faz jus à publicidade em torno do seu lançamento no Brasil, certamente ecoando sua recepção no exterior, anunciando se tratar de um filme onde se dá uma combinação interessante entre cinema de arte e entretenimento. A mega produção de Christopher Nolan tem o mérito indubitável de forjar um universo de som e luz que mantém o espectador desperto em seu assento, flanando por belas paisagens e por divertidas histórias. A ingestão da pipoca fica em segundo plano já que, desde o início, percebe-se a pretensa complexidade do roteiro e a sucessão acelerada de suas peripécias. O entretenimento é, deste modo, garantido. Não há, entretanto, nada na produção que permita considerá-la cinema de arte. Sua representação de tempo e espaço é absolutamente banal – o que espanta, quando se considera que a principal matéria do filme são os sonhos. Nada de especial na interpretação dos personagens – muito do cenho franzido de Leonardo DiCaprio e um Michael Caine interessante, que promete, mas que não desempenha nenhuma função relevante. E o mais sério: nada na ideologia do filme que refrigere nossas noções pré-estabelecidas e que alimente sentimentos de inovação e/ou de liberdade. Toda a ação do filme é movida pela ambição desmedida de um empresário japonês e pela busca de um homem pelos filhos – em nenhum momento, estes objetivos são questionáveis, comprovando a tendência capital dos blockbusters: reafirmar velhos valores arraigados em nossa sociedade ocidental como família, pátria, trabalho e dinheiro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

PROVA DE MORTE


Death Proof é o filme dirigido por Quentin Tarantino em 2007, mas que só apareceu nos cinemas brasileiros recentemente, 01 ano após a exibição de Bastardos Inglórios, de 2009. Tarantino me parece ter chegado ao apogeu de um estilo muito próprio, onde a imperfeição é uma meta e onde o politicamente errado é um estandarte. Colidem deste modo: um roteiro absolutamente estúpido e trivial e uma produção com um preciosismo técnico absurdo. Nunca o mal-feito foi antes tão elaborado e tantos recursos são convidados a expressar absolutamente nada. O código de ética que orienta a ira dos personagens de Kill Bill, representado por personagens como Pai Mae e pelos emblemáticos duelos do Japão e da seqüência final do filme, não têm qualquer valor aqui. Death Proof é mais do que a exploração da violência como linguagem, é o reconhecimento de um impasse pós-moderno: a ausência de valores morais e a falta de sentimentos de culpa e de necessidade com relação a esta falta.